Salvador: Clima de medo toma conta do Pero Vaz após ônibus incendiados
O incêndio a quatro ônibus no Pero Vaz, na noite da última quarta-feira, 29, impôs um clima de medo e apreensão aos moradores e comerciantes da região. Nesta quinta-feira, 30, um dia após os ataques, ônibus permaneciam sem circular até o fim de linha do bairro e poucos estabelecimentos se arriscaram a abrir as portas.
Apesar de a Polícia Militar ter garantido reforço na segurança em toda a área, a população local afirma temer novas ações criminosas. “Isso aqui tá demais. A pessoa tem que se trancar em casa para evitar levar um tiro ou até morrer queimado dentro de um ônibus desses”, relatou ao MASSA! uma aposentada de 68 anos. Um lojista de uma rua próxima dali disse à reportagem que vai ficar “no prejuízo”, pois só poderá trabalhar quando “a situação se normalizar”.
Segundo um policial civil que participa das investigações, a investida contra os coletivos teria sido ordenada por um homem de prenome Fernando, apontado como um dos líderes do tráfico na Santa Mônica e irmão de Gilson Barbosa da Cruz, de 23 anos, morto em confronto com PMs horas antes de os veículos serem queimados. Familiares do rapaz, por sua vez, contestam a versão: eles afirmam que Gilson não tinha nenhuma ligação com o crime nem estava armado na ocasião em que foi baleado.
PM dá sua versão
Sob anonimato, uma uma vizinha de Gilson disse que um policial militar identificado como “Marcão” atirou contra o rapaz, que, segundo familiares, era ajudante de pedreiro e trabalhava no momento em que foi morto.
Em nota, a PM informou que os policiais que participaram da ação relataram à Corregedoria que a Operação Apolo realizava rondas na Santa Mônica quando foram recebidos a tiros por vários suspeitos armados que traficavam em um beco. Conforme a PM, Gilson portava um revólver calibre 38, com três munições deflagradas e duas intactas, dois celulares e uma porção de drogas.
Sem ônibus
O Sindicato dos Rodoviários informou que, preocupado com a integridade física dos trabalhadores e passageiros, deslocou o fim de linha dos ônibus do Pero Vaz para o IAPI e do Santa Mônica para o Conjunto Bahia, próximo à Avenida San Martin. “A situação será mantida até que os trabalhadores tenham a sensação de segurança plena”, ressaltou a entidade.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Salvador (Setps) estima que o prejuízo pelos quatro veículos incendiados chegue a R$ 930 mil – cada ônibus custa cerca de R$ 250 mil, enquanto um micro-ônibus, R$ 180 mil. O delegado Luís Henrique Costa Ferreira, titular da 2ª Delegacia (Liberdade), instaurou inquérito para apurar a autoria da “ação oportunista”. Segundo a polícia, embora Gilson tenha sido morto na Santa Mônica, os criminosos que agiram no Pero Vaz pertencem ao mesmo grupo criminoso que atua nas duas regiões.