Angeo Rosa comenta: ‘O elástico comportamento humano’

26/7/2011 17h16 – A prefeita Valdice Castro, há alguns meses, recebeu solicitação de uma igreja evangélica da cidade para que liberasse uma das avenidas principais de Jacobina para realização de dois dias de evento. Negou a liberação, obrigando ao pastor, homem de atitudes firmes e conhecedor dos seus direitos, a realizar o evento de propagação do evangelho de Cristo, na referida avenida, mesmo contra a vontade da prefeita de Jacobina.

A santa desobediência do pastor custou a ele e aos fiéis enorme prejuízo: diversos carros foram riscados por material cortante, ação incomum de vandalismo que, naturalmente, nada teria a ver com a proibição da praça ao solene evento. Governo é governo, vândalo é vândalo.

Agora, por ocasião das festividades de aniversário da cidade de Jacobina, os evangélicos são apanhados de surpresa com a realização de um evento gospel com o cantor André Valadão, ligado ao movimento Diante do Trono.

Surpresa porque a prefeita que nega praça para um evento evangélico contrata um cantor evangélico para agradar aos crentes e que tocará na praça, de graça. Este é mesmo um governo confuso, de decisões confusas.

Ao que parece, o desgaste da proibição repercutiu de forma arrasadora no meio evangélico. É histórico que o cristão antes de ser eleitor é cristão, e uma punhalada em crente repercute em todo crente. Assim é que as mais diversas denominações evangélicas da cidade repudiaram a ação da prefeita, o que provoca hoje enorme rejeição ao seu nome no seio evangélico, obrigando até que um líder político recluso e de voz sussurrante e melíflua procurasse o pastor afrontado e pedisse veementes desculpas e perdões. Ao que parece foi perdoado dos seus pecados, já que o perdão é o mote principal da pregação do Cristo.

Mas antes de acreditar em um arrependimento improvável, já que o citado líder é considerado de duríssima cerviz, é bom que se lembre que as próximas eleições se aproximam. E sua sanha vingadora é terrível. Talvez por isso, a prefeita de Jacobina que proibiu o livre culto recentemente (aliás, ferindo de morte a Constituição brasileira), agora faz este arremedo de arrependimento colocando na praça e de graça o André Valadão. Ou quem sabe o louvor e culto na praça agora também sejam ação de governo. Em Jacobina, o culto foi estatizado. Na praça e em avenidas só o governo pode fazer.

Mas é bastante normal, embora assombroso, a “transformação” de comportamento deste governo. Não será surpresa se o governo municipal transformar nos próximos meses o Samu municipal em regional, convidar os frequentadores de uma barraca famosa na cidade para dizer que nunc a afirmou que o local é frequentado por drogados ; talvez ela faça as pazes com a Imprensa jacobinense achincalhada desde sempre em seu governo, quem sabe, talvez, seguindo o processo de “redenção transformadora” que só as futuras eleições são capazes de provocar, o governo municipal passe a dizer até mesmo que Rui foi um grande prefeito e tal e coisa e coisa e tal…

Não seria de admirar. É esperar pra ver e acreditar. Pois tudo é possível ao que crê, já dizia Jesus Cristo, objeto das mais diversas negações do ser humano apesar de sua total doação morrendo na cruz por nossos pecados.

A mais recente negação a Cristo aconteceu em Jacobina: uma praça para realização de um culto.

Por Angeo Rosa