Justiça anula júri que absolveu Kátia Vargas de morte de irmãos em acidente

Justiça decidiu anular o júri popular que absolveu a médica Kátia Vargas, suspeita de provocar a morte dos irmãos Emanuele e Emanuel Gomes Dias, de 21 e 22 anos, em um acidente ocorrido em outubro de 2013, no bairro de Ondina, em Salvador. A decisão foi tomada em uma sessão realizada nesta quinta-feira (16), na 2° Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA), e teve a participação de três desembargadores. Dois votaram a favor da anulação do júri. Já o terceiro, o desembargador Mário Alberto Hirs, votou contra. Em nota, a defesa de Kátia Vargas informou que, apesar de respeitar a decisão do Judiciário, não concorda com o seu teor e irá interpor os recursos cabíveis para restabelecer a absolvição da médica.
Ainda em nota, a defesa afirma que a prova produzida na ação penal foi bem analisada pelos jurados e comprovou a total improcedência da acusação. O pedido de anulação do júri foi feito pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). O julgamento do recurso começou no dia 2 de agosto, mas foi adiado após o desembargador Mário Alberto Hirs pedir vistas do processo, alegando a necessidade de analisar os autos por mais tempo. O pedido do MP-BA e da acusação para a anulação do júri popular utilizou dois argumentos. O primeiro deles é o fato de que a defesa da médica utilizou como testemunha um perito contratado pela ré. O segundo, o fato de o resultado do júri ser contrário às provas apresentadas pelos três laudos periciais elaborados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia.

Caso

Kátia Vargas foi acusada de ter provocado o acidente que matou os irmãos Emanuele e Emanuel Gomes Dias, após uma suposta discussão no trânsito, no bairro de Ondina, na capital baiana, em no dia 11 de outubro de 2013. A médica Kátia Vargas teria batido com o carro na moto pilotada por Emanuel, de 21 anos. Na garupa do veículo estava a irmã, Emanuelle. Com o choque, os jovens bateram em um poste, e ambos morreram na hora. A oftalmologista chegou a ser presa, acusada de homicídio triplamente qualificado, mas, após dois meses, obteve o direito de responder ao processo em liberdade provisória. Em 2014, o Tribunal de Justiça da Bahia decidiu que a acusada fosse levada a júri popular. A defesa recorreu até a última instância, mas o Supremo Tribunal Federal negou o pedido. No dia 6 de dezembro do ano passado, foi absolvida em júri popular que durou dois dias. (G1 Bahia)